Trabalhos do Marinheiro – Coxins
Coxins – Trançados feitos geralmente com os cordões de um cabo descochado, com muitas aplicações a bordo, como capachos, defensas, proteção de portalós, entradas de embarcações, paus de contrabalanço das embarcações etc.
Distinguem-se das gaxetas por terem maior largura, e dos embotijos por serem planos. (Fonte do Post: Livro Arte Naval Vol I).
Coxim francês

Coxim francês. Imagem: Reprodução/ Arte Naval.
Em posição horizontal e num lugar safo, amarra-se um pedaço de cabo cujo comprimento depende da largura desejada para o coxim. Penduram-se alguns cordões pelo meio, podendo ser bem unidos ou separados, conforme se desejar que fique o trabalho. Em geral, utilizam-se cordões de um cabo descochado ou cabos finos, devendo o número deles ser suficiente para cobrir a largura do coxim.
Numeram-se os chicotes dos cordões e separam-se os mesmos alternadamente, ficando, por exemplo, os de ordem ímpar para baixo; um ajudante segurará os chicotes de ordem par para cima. Toma-se o cordão número 1 e, colocando-o diagonalmente para a esquerda, dá-se ao ajudante, de quem se recebe o cordão número 2. Prossegue-se trocando os cordões adjacentes, sucessivamente, de nossa mão para as do ajudante e vice-versa, fazendo um trançado igual ao do embotijo de rabo de cavalo.
Remata-se como é visto na figura, ou então como se começou o trabalho, passando um cabo horizontalmente e abotoando os cordões.
Coxim espanhol

Coxim espanhol. Imagem: Reprodução/ Arte Naval.
Amarra-se um cabo horizontalmente, como no caso anterior, e sobre ele colocam-se cordões dobrados pelo meio; numeram-se estes cordões, sendo, por exemplo, os chicotes da frente de ordem ímpar.
O coxim é formado de nós de porco, passando cada cordão por cima e para trás do que lhe fica adjacente, da esquerda para a direita. Note-se que no começo, na parte superior à esquerda, o cordão número 2 passa por cima do cordão número 1. O cordão número 2 ficará por baixo do número 3, e assim vão sendo dados nós semelhantes aos nós de porco, até chegar ao lado direito do coxim.
A fileira seguinte será feita em sentido contrário, da direita para a esquerda, tal como se vê na fileira inferior da figura. Os dois cordões laterais servem como enchimento no contorno do coxim, não dando nós. Para rematar aproveitam-se esses cordões laterais, emendando-os horizontalmente, para formar o contorno inferior, e amarram-se nele os cordões intermediários, fazendo sair os chicotes destes para trás do coxim.
Cocham-se estes chicotes na parte posterior do trabalho, tesa-se bem, abotoa-se caso seja necessário e corta-se o que exceder.
Coxim russo

Coxim russo. Imagem: Reprodução/ Arte Naval.
A confecção do coxim russo é idêntica à do trabalho anterior. Em vez de nós de porco são dados nós de pinha singela; isto quer dizer que cada cordão em vez de passar em torno de seu adjacente à direita (ou à esquerda), da parte anterior para a parte posterior, passa de trás para a frente, como
se vê na figura.
Coxim de tear

Coxim de tear. Imagem: Reprodução/ Arte Naval.
Para a confecção do coxim de tear, amarram-se alguns cordões sobre um cabo disposto horizontalmente como nos trabalhos anteriores. Coloca-se um fio de vela ou merlim entre as duas pernadas dos cordões, paralelamente ao cabo horizontal. Vai-se, então, cruzando as pernadas dos cordões, fazendo passar as que estão em cima para baixo e vice-versa, e, entre elas, fazem-se passar os dois chicotes do merlim.
Continua-se este trançado até ter o comprimento desejado, dependendo a largura do merlim do número de cordões colocados. Remata-se como nos coxins anteriores. A grossura do merlim é escolhida à vontade.
Coxim português

Coxim português. Imagem: Reprodução/ Arte Naval.
O coxim português é feito em posição horizontal com entrelaçamento de cordões de cabo descochado ou cabo fino, cujo comprimento e largura depende de como se deseja o tamanho do coxim.
Coxim turco

Coxim turco. Imagem: Reprodução/ Arte Naval.
O coxim turco e usado para quadros de trabalhos marinheiros ou servir de capachos de escada de portaló ou para proteção de carga nas fainas de transferência.
Inicia-se formando uma meia-volta com os chicotes de um cabo, dá-se meia-volta, formam-se duas alças e dá-se uma torção para a frente em cada alça; coloca-se a alça da esquerda por cima da direita e entrelaçamse os chicotes formando as malhas até ter o tamanho desejado, como verificamos na figura.
FONTE: ARTE NAVAL (6ª Ed. Volume I). Fonseca, Maurílio Magalhães. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação da Marinha, 2002. ISBN 85-7047-051-7.
Reginaldo Mauro Neves é fundador e administrador do Clube do Arrais. Mestre-Amador, Veterano da Marinha do Brasil | Ex-tripulante da Fragata "Liberal" (1991-1993) | Operador de Radar na Fragata "Independência" (1995-1997) | Controlador Aéreo Tático Classe "Alfa" na Fragata "Dodsworth" (2000 - 2003) | Controlador Aéreo Tático Classe "Alfa" na Fragata "Greenhalgh" (2003 - 2005) | Encarregado da Seção de Segurança do Tráfego Aquaviário na Agência Fluvial de Imperatriz-MA (2008 - 2011)